* por Bela Backes

Era 10 de maio de 2017, dia dos shows do Ghost e Rob Zombie no Pepsi on Stage, em Porto Alegre. Peguei meu ônibus cedinho, rumo ao trabalho, com meus vinis debaixo do braço. Tentei todos os contatos possíveis que poderiam me ajudar na empreitada de conhecer o Ghost, porém sem êxito.

Era umas 15h40 quando já tinha saído do trabalho e peguei o trem até a estação do aeroporto. Desci e caminhei até o Pepsi on Stage. Lá havia uma boa fila, a maioria com camisetas do Rob Zombie.

Fui até o estacionamento e perguntei se poderia ficar ali esperando. Não se opuseram. Com quase uma hora de espera sai uma santa alma do Pepsi, um cara da produção. Gastei todas as minhas fichas perguntando se o Rob Zombie sairia após a passagem de som e tive como resposta um “não sei ainda”.

Mentalmente fiquei discutindo comigo por ter gasto o tempo do cara com a pergunta errada. Então eis que ele retorna e pude pedir mais duas perguntas. A primeira “O Ghost já chegou para passagem de som?” e a resposta foi um paciencioso “não”. Então cai no mesmo erro de fazer outra pergunta inútil “sabe que horas eles chegam?”, recebendo como resposta “acho que não falta muito”.

Agradeci e fui caminhando de volta pro meu lugar quando pensei “já sei o que perguntar!” e chamei o cara de novo, já envergonhada e me desculpando. Disse que só tinha mais uma pergunta: “Onde o Ghost está hospedado?”. Ele, retribuindo meu sorriso, disse “Eles estão no DeVille”. Nem preciso dizer o quanto agradeci o cara pela informação, já apressando o passo e ouvindo como despedida um “Boa sorte lá, tomara que tu consiga!”.

Naquele momento adiante já valeu os dias que não faltei na academia. Corri como se não houvesse amanhã e como se meus pulmões fossem de super-herói. O hotel parecia bem mais próximo na minha cabeça do que a quantidade de passos que estava dando.

Então, finalmente, cheguei. Respirei fundo, já suada, descabelada, tremendo e o que eu vejo na minha esquerda, no lobby? Os músicos do Ghost! Claro, não a formação original, pois dela só restou o Tobias Forge. Eles se entreolharam e sorriram receptivos ao ver os vinis que tinha comigo. De imediato dei oi para um dos guitarristas, que logo pegou os vinis e respondeu ao meu oi. Nisso, uma pessoa ligada a produção local (o que eu imagino, pois falou em português comigo) pediu que me retirasse que a banda só atenderia no final do show e prosseguiu num tom bem rude e mal educado. Nesse instante (eu já vindo de um dia pesado) enchi meus olhos de lágrimas e saí sem dizer nada. Sentei na frente do hotel, próxima da porta principal e fiquei pensando no que aconteceu e no que eu faria.

Quando, de repente, o momento mágico aconteceu.

Eu sentada de costas, no cordão da calçada em frente a porta principal, e alguém diz em inglês “Oi, moça, o que aconteceu lá dentro? Não entendo português, mas deve ter sido algo ruim pra você ter saído triste”. A pessoa em questão é um dos guitarristas, o qual não posso revelar nome, mas foi extremamente educado e gentil; pegou os vinis e disse “você é especial pra gente, olha quantos vinis. Vou assinar alguns e vou chamar Tobias também”.

Então o Tobias Forge, Papa Emeritus, sai e vem ao meu encontro. Simples, acessível, agradeceu por eu ter ido até o hotel, falou rapidamente sobre Sepultura, pois eu estava com uma camiseta da banda, perguntou se eu assistiria o show e disse que esperava que eu curtisse meu primeiro show do Ghost. Pra finalizar, abriu os braços, sorrindo, e durante um longo abraço agradecia o carinho.

Não pude tirar foto com ele pois estava sem máscara. Mas aqui estou com meus vinis autografados, lembranças de uma tarde que tive orgulho de não ter desistido e feliz por ter acreditado. Um exemplo bacana de quando os músicos, embora grandes, mostram sua verdadeira grandeza sendo iguais.